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Pesquisa de impacto internacional em neuromodulação para tratamento de síndrome fibromiálgica

  • Foto do escritor: SBENF
    SBENF
  • 24 de mar.
  • 2 min de leitura

O artigo Motor cortex repetitive transcranial magnetic stimulation in fibromyalgia: a multicentre randomised controlled trial publicado recentemente na prestigiada revista British Journal of Anaesthesia (fator de impacto 9,1) traz impacto importante no campo da neuromodulação.

Estudo desenvolvido com pesquisadores com ampla experiência internacional em neuromodulação invasiva e não-invasiva em dor crônica, principalmente da área da neurologia e da neurocirurgia, como Prof. Dr. Manoel Jacobsen, Prof. Dr. Daniel Ciampi, Prof. Dr. Abrahão Baptista, Prof. Dr. Didier Bouhassira, Prof. Dr. Nadine Attal e Prof. Dr. Koichi Hosomi.

Estudo duplo-cego, randomizado, placebo-controlado e paralelo em que 101 mulheres com síndrome fibromiálgica oriundos do Brasil, França e Japão foram tratados com estimulação magnética transcraniana (TMS)com alvo no córtex motor esquerdo (M1) e protocolo de alta frequência (10Hz) e 3000 mil pulsos no total. Nas duas primeiras semanas, foram realizadas sessões diárias de tratamento (fase de indução) e após manutenção com sessões semanais por mais 6 semanas e por último mais 8 semanas com sessões quinzenais, completando 16 semanas de tratamento. O desfecho primário foi ≥ 50% de redução da intensidade dor após as 8 semanas iniciais do estudo, comparando o grupo ativo e o grupo sham. 

Baseado na estatística frequentista, houve uma diferença estatisticamente significante no desfecho primário (p=0,028) com uma taxa de respondedores (≥ 50% de redução da intensidade dor após as 8 semanas iniciais do estudo) de 40,4% no grupo ativo e 18,4% no grupo sham, confirmada pela análise Bayesiana com 99,4% de probabilidade de pacientes do grupo ativo de alcançarem pelo menos 50% de redução da intensidade da dor (OR 3,94, 95% CrI 1.26 a 8.06). O número necessário para tratar foi 4,54 e o tamanho de efeito foi 0,49.

Em relação aos desfechos secundários, houve um significativo aumento da percepção de melhora pelos próprios pacientes do grupo ativo em relação ao sham, assim como houve uma tendência de redução da interferência da dor nos aspectos de trabalho e sono, melhora da qualidade de vida e menor necessidade de antidepressivos baseados na análise Bayesiana, substancialmente no final da oitava semana de tratamento.  A qualidade de vida manteve estável a tendência de melhora no final das 16 semanas do estudo. Os efeitos adversos foram semelhantes entre os grupos sham e ativo (sem diferença estatisticamente significante), que incluíram mais frequentemente cefaleia e sonolência, sem relato de efeito adverso grave, por exemplo crise epiléptica.

As mensagens mais importantes desde estudo são quea TMS de alta frequência em M1 (protocolo de estimulação em sessões diárias de indução seguidas por manutenção semanal), como terapia adjuvante no tratamento da síndrome fibromiálgica, alcançou alta probabilidade de reduzir dor e outros sintomas relacionados após 8 semanas de tratamento. Ainda, atécnica demonstrou bom perfil de segurança, além do relativamente alto tamanho de efeito da terapia. Esse foi o primeiro estudo multicêntrico internacional nessa área, que ratificou a eficácia da neuromodulação não invasiva como uma opção terapêutica para pacientes com síndrome fibromiálgica refratária ao tratamento com medicação e atividade física/reabilitação.

Por último, o crescimento do conhecimento em neuromodulação tem expandido as fronteiras com mais pacientes com dor crônica sendo tratados e alcançando o restabelecimento da qualidade de vida, sejam com técnicas invasivas ou não. As colaborações entre centros de assistência e de pesquisa, assim como de especialistas de várias áreas são de extrema importância para fortalecer esse processo de mudança de paradigmas no manejo de doenças prevalentes como a síndrome fibromiálgica.



  • Jorge Dornellys da S. Lapa, MD, PhD

    Professor Adjunto de Neurocirurgia (UFS)

  • Preceptor de Neurocirurgia Funcional e Dor (Hospital Cirurgia/SE)

  • Sócio-fundador do Centro Neurológico Interdisciplinar (CNI/SE)

  • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Estereotaxia e Neurocirurgia Funcional

  • Colaborador do Centro de Dor do Departamento de Neurologia (HCFMUSP)

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